Dra. Fernanda Cerqueira

CRM 52.84621-0

 

Cirurgia Vascular 

Ecografia Vascular

Usando as Meias de Compressão

 

A utilização da terapia compressiva é muito importante no tratamento e prevenção das doenças venosas e linfáticas.
Pode ser realizada com o uso de meias de compressão ou bandagens (ataduras) de compressão, elásticas e/ou inelásticas, que vão criar um gradiente de pressão, facilitando o retorno venoso.

 

Tem como objetivo a redução dos mediadores inflamatórios, promoção da drenagem de metabólitos, aumento do retorno venoso e diminuição do edema (inchaço), favorecendo o transporte de oxigênio à pele e ao tecido subcutâneo, acelerando a cicatrização das úlceras venosas.

Visando essas alterações, o tratamento é bem sucedido quando há alívio dos sintomas, como diminuição da dor (geralmente referida como “sensação de peso nas pernas” principalmente no fim do dia), redução do edema (inchaço), tratamento da lipodermatoesclerose (alterações da pele e tecido subcutâneo), cicatrização das úlceras e prevenção da recorrência.

 

Na doença venosa não muito avançada, o tratamento pode ser feito somente com o uso da meia elástica, sem depender de medicamento na maioria dos casos. Antes da prescrição da meia, o paciente sempre deve ser avaliado por um médico, para se descartar algumas patologias como a doença arterial periférica (ITB, 0,8), insuficiência cardíaca não-compensada, vasculites, dermatite em fase aguda e pele friável ou delicada (pelo risco de úlceras de pressão), situações nas quais seria contra-indicado este tratamento.

Quando usada corretamente, a meia elástica é de extrema importância e muito bem aceita pelo paciente. No entanto uso de forma adequada desse mecanismo nem sempre é possível pela falta de orientação fornecida pelo médico.

O uso inadequado da meia pode levar à piora do edema (inchaço), da dor e das varizes.
Abaixo você encontrará algumas informações úteis para o uso correto da terapia compressiva.

Cuidados no Uso das Meias de Compressão

 

1 – Ao comprar a meia, verificar no verso da caixa como a marca escolhida apresenta os tamanhos: Elas podem considerar o peso e o tamanho do calçado e/ ou as circunferências da panturrilha (na maior circunferência), do tornozelo (na altura dos “ossinhos”- maléolos), do joelho (na parte mais estreita) e da coxa (5 cm abaixo da prega da virilha). Nos últimos casos, deve-se medir com fita métrica que, geralmente, está disponível na loja de produtos hospitalares.

2 – Não comprar a meia sem verificar o seu tamanho correto, pois meias muito maiores ou muito menores que o seu número prejudicam o uso adequado da mesma.

3 – Independentemente da marca da meia de compressão escolhida, o intervalo de compressão deve ser aquele determinado pelo médico na receita (15 a 20mmHg, 20 a 30mmHg, 30 a 40mmHg, etc), uma vez que algumas marcas tem nomenclaturas fora do padrão. Dessa forma, o que importa é o valor da faixa de compressão e não o nome dado à meia (Ex: média compressão, alta compressão, etc).

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4 – A meia NUNCA deve ser dobrada, enrolada ou apresentar “rugas”, pois, dessa forma, tem o efeito inverso do seu objetivo (atua como um garrote e piora a dor, o inchaço e as varizes).

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10 – As meias ¾ devem acabar a pelo menos 2 a 5 cm (“dois dedos”) abaixo da prega poplítea (“dobra” do joelho), para não enrolar ao dobrarmos a perna.

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5 – Não colocar a meia “esticando” ao máximo como meia-calça comum, pois ela tende a voltar à posição inicial, podendo causar dobras e “rugas” ou enrolar-se.

 

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7 – A meia deve ser distribuída (“espalhada”) uniformemente pela perna e, se sobrar um pouco, deve ser SEMPRE para os dedos dos pés e NUNCA para cima, para evitar dobras, “rugas”,… Se estiver sobrando demais, provavelmente a meia está muito grande para a sua perna.


8 – As meias de “coxa inteira” devem acabar a 4 cm (“dois dedos”) abaixo da virilha.

9 - As meias-calças inteiras devem ser posicionadas até a linha da cintura.

11 – As meias 7/8 devem acabar no terço médio da coxa (“meio” da coxa). Se puxarmos demais, ela pode se enrolar mais facilmente.

 

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6 – A meia de compressão é fabricada de tal forma que a compressão não é a mesma em todos os pontos da peça e, por isso, NUNCA deve ser cortada!

 

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12 – A meia pode ser com ponta ou sem, de acordo com a opção do paciente.

 

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13 - Para facilitar a forma de calçar a meia utilize os calçadores que vem com algumas marcas ou a “dica” de colocar primeiro toda a meia até passar do calcanhar e somente depois desenrolá-la com as duas mãos (com os polegares por dentro da meia) e distribuí-la uniformemente.

 

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14 – A meia de compressão deve ser colocada pela manhã, pois a perna está menos edemaciada (inchada) e as veias menos túrgidas (cheias). Se não for colocada após acordar, devemos permanecer com os membros inferiores elevados (“pernas para cima”) por 10 a 30 min antes de coloca-la. Colocar a meia com as pernas inchadas, pode piorar o edema, principalmente nos dedos dos pés, causando dor e incômodo.

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15 – Excetuando pacientes com doença em estágio avançado e quando indicado pelo médico, a meia de compressão não deve ser usada para dormir.

16 - Não usar tornozeleiras junto com a meia (por dentro ou por fora).

17 - Deve-se evitar o uso de meias comuns por fora das meias de compressão e NUNCA colocadas por dentro dela, para não fazer "garrote"no local.

18 – As meias de compressão para uso diário tem uma vida útil (“prazo de validade”) pré-determinado, o que varia de acordo com a marca escolhida e a frequência com que é usada. Se a meia parece mais “frouxa” do que quando você a comprou, provavelmente está na hora de trocá-la.

19 – Para manter a higiene e a conservação das meias, deve-se atentar para as orientações na embalagem.